Solilóquios descoladinhos de uma dona de casa pretensiosa

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

A Tentação de Mariana

16:57 POR Ana Carolina Paiva 6 COMENTÁRIOS

Nos dias de levar a roupa lavada e engomada, abria os olhos antes de o sol nascer. Não dormia nada, virava na cama esperando inquieta pelo passeio na cidade. A botina e o lenço grosso sobre a cabeça não eram suficientes para afugentar o frio e o vento marítimos. Ia assim mesmo, sabendo que os dez quilômetros a pé com a trouxa na cabeça e o compasso convulso da caminhada lhe esquentariam o corpo.
Transfigurava-se em pura alegria quando avistava o farol ornado pelos primeiros raios de claridade. Sempre se dava de presente o tempo de subir a escadinha estreita do antigo farol para observar de perto o furor das ondas, o que lhe trazia um frêmito de morte. Era a prece do dia, o ânimo para enfrentar o pesado labor, os temores, as lacunas da existência.
Invadia o bosque de lavanda que se perdia no horizonte como um colossal tapete mágico. Misturavam-se à lavanda os odores das ervas de cheiro: alecrim, rosmaninho, tomilho, poejo, manjericão, manjerona, hortelã. Sabia distinguir todos os aromas. Colhia do mato as encomendas da mãe, da senhora e arranjava tudo nos saquinhos de chita.
Os raios de sol lhe afagavam o rosto juvenil e sardento, uns olhos cor de mel, uma pele muito alva. Tirava o lenço escuro e pesado, a casaca e a capa. Abandonava os braços nus sobre a relva. Ouvia ao longe um piano imaginário.
Gostava do vai e vem dos vendedores de rua, das vitrines de vestidos e trajes de gala, do colorido dos doces, do esplendor das igrejas, dos carros que agora se moviam sem os cavalos! Volta e meia estacava, arredia, querendo correr para os braços da mãe: - Mãezinha, na cidade as coisas escapam de Deus, é como se tivessem vida própria! 
Mariana conservava o seu temor pela cidade. Temor que adorava sentir. Era como quando estava no alto do farol na iminência de cair sobre o escarpado das rochas, sobre a exaltação das ondas. Seu corpo ganhava uma força e um sentido que ela ainda não podia compreender.
A primeira da lista de freguesas era Ana Ribas, a senhora que jamais sorria. Dona Ana que andava sempre de preto, mas tinha marido, pegava a trouxa e levava para os aposentos. Então sumia lá por dentro se esquecendo de Mariana que passava o tempo perdido olhando fixamente para a estátua da Virgem Maria sobre o altar de peroba entalhado. Uma virgem muito triste e chorosa aquela de dona Ana, segurando nos braços o filho morto. O manto azul com atilhos dourados. De sua pele de cera vertiam lágrimas brilhantes. Os cenhos franzidos de tanta tristeza e uma boca magnificamente fresca!
- Onde aprendeste a lavar tão bem uma roupa, menina? Deixaste sobre a erva?
Mariana se assustou com a entrada desabrida da dona, já que ainda estava imersa no olhar licoroso da imaculada.
- A senhora dona Ana saberia me dizer como uma mãe tão jovem poderia ter um filho já crescido assim?
Os olhos da moça cintilavam de verdadeira curiosidade. Então se lembrou da pergunta da freguesa que ficara suspensa:
- Deixei sim senhora, toda a manhã de ontem. Deixei quarando porque o sol estava muito bom.
- Ficaram mesmo clarinhas! Parece que não foram mãos humanas a trabalhar, que fizeste um feitiço. Deixa ver tuas mãos... Perfeitas, sem um calo, sem uma mancha. Isso é feitiço! Ou então é tua mãe que lava...
Mariana acendeu um sorrisinho manhoso só no canto esquerdo da boca:
- Gosto de bater nas roupas com força, só nas mais pesadas! As delicadas e claras eu esfrego, esfrego, coloco de molho no anil, depois deixo quarando. Quando a roupa está muito encardida é preciso ferver! E é só isso que eu faço dona Ana.
Finalizou o assunto com mais um breve sorriso de contentamento.
Dona Ana Ribas notava que Mariana descrevia o absorvente ofício como se recitasse um poema ou tangesse o piano forte, tamanha a sua desenvoltura. E tocava vez por outra nos cabelos revoltos da moça enquanto sorviam do chá: - Quem diria que aquele ratinho pelado que quase não vingou se tornaria essa admirável rapariga! E alva! Não sabes a sorte que tens de não ter nascido trigueirinha como tuas irmãs.
Depois de tagarelar por quase toda a manhã, Ana Ribas enfim consentiu que a moça fosse embora sem lhe oferecer nem o almoço nem a passagem do comboio.
Mariana seguiu para a igreja. Mesmo cansada e com fome esperou a hora da missa. Fechou os olhos meditando com Deus. Pediu pela alma dos mortos, pela saúde da mãe, pela orientação dos irmãos. E olhou no fundo dos olhos da Virgem sobre o altar principal.
Quando abriu os olhos reconheceu logo as pernas ajoelhadas ao lado das suas. Aquelas pernas pertenciam ao menino magro de sorriso ladino filho da herdeira do hotel mais refinado do lugar. Dimas farejava a presença de Mariana na cidade. Eram amigos desde sempre.
- Já estavas voltando para casa e nem fostes me visitar.
- Tua mãe não gosta de mim...
- O que é que isso importa? Eu gosto, por mim e por ela. Quer andar por aí?
Mariana e Dimas se demoravam pela cidade. Corriam lojas, parques e jardins para enfim serenarem no cemitério abandonado do promontório. Gostavam de sentir que sobre o promontório saliente invadiam também eles o habitat das sereias, dos navios fantasmas, dos gigantes e demônios marinhos.
- Com fome?
- Faminta!
Dimas abriu um alforje já bem surrado que usava a tiracolo sempre que saía no encalço da amiga. Ali cabia de tudo: pão, leite, geleia, frutas, paté de foie gras, vinho, queijo, docinhos variados.
- Pegastes comida para mim de novo? Roubaste da dispensa de tua mãe que eu sei!
- Roubei e sempre vou roubar. Sei que dona Ana te deixa com fome e faço o que tiver que ser feito para ver teu rosto lindo sempre corado, para que teu sorriso se ilumine a cada minuto. Absolutamente contentada e sem fome!
- Dimas...
- Não digas nada! Apenas coma este morango aqui! E colocava um morango vermelho com a haste verde dentro da boca da senhorita que mastigava rápido querendo falar:
- Como sabes que eu gosto de comer a haste?
- Observando você! Teus gestos, teu caminhar, o desenho de tuas palavras e a mágica do teu sorriso. Isso quando estou com sorte!
- Sabes que vou para o convento.
- Não queres ir. Isso é coisa daquele padre.
- Sim. Padre Gregório me incentiva. Ele vai falar com as freiras. Em breve serei noviça.
- Não digas mais nada que assim partes o meu coração.
Mariana se aproximou subitamente do rosto do amigo. Fez-se um sossego de pássaros cantando ao longe. Dimas olhou profundo nos olhos da moça que amava desde criança esperando que ela também proferisse o seu amor. O ar lhe escapava.
- Começa a escurecer Dimas. Vou-me embora.
- Não! Não podes... Não podes ir sozinha.
- Não te preocupes mais comigo.
E com a ponta dos finos dedos Mariana traçou sua própria cartografia da fisionomia do amigo na esperança de retê-la na memória e utilizá-la sempre que preciso, como uma ferramenta concreta.
 -O mar estará para sempre no fundo do azul destes teus olhos.
- Quando voltarei a te ver?
- Quando Deus quiser.
E colocou a capa, se afastando depressa numa marcha larga e irrequieta, alterando junto com o tempo que trazia súbito vento e tempestade.
Vinte dias se passaram. Não havia mais sinal do vendaval nem notícias de Dimas. Bateram na casa de dona Rosa mais cedo que o combinado. À porta, o pároco, um cocheiro e seus salamaleques, duas monjas do convento das Carmelitas. Mariana estava pronta para deixar a casa dos pais para sempre.
Dona Rosa não era de deitar choro fora, mas também não podia disfarçar seu desapontamento com a decisão da menina.
- Não me conformo com isso! Terminar tua vida trancada num convento. Fiz de tudo para te dar educação, para não teres que viver para sempre como uma lavadeira! A rapariga leu o Tesouro de Meninas padre Gregório! Moça preparada para fazer bom casamento ou ao menos ser uma boa preceptora!
O pároco olhava para o pé, o cocheiro fazia disfarçadas momices com as sobrancelhas, as freiras contemplavam o horizonte e Mariana mantinha uma quietude inabalável que bulia por dentro da mãe como uma dor sem remédio:
- Dá-me a tua benção agora, pois sem tua benção eu não sou nada. Dona Rosa, minha mãe, perceba o quanto é bom, eu por fim entendi o amor de Cristo e recebi o seu chamado. A senhora sabe o quanto eu era inquieta, buscava a beleza, os cheiros, as cores em tudo. A senhora ralhava comigo, pensava que eu tinha um parafuso a menos. Agora com Deus, eu posso ver o coração das coisas!
Dona Rosa que não era de chorar, desprendeu um mar de lágrimas. As mais salgadas e sentidas que jamais vertera em toda a vida. Enfim, abençoou a filha e se fechou num silêncio resignado. Encontrou forças no trabalho. Com sol ou chuva levava os filhos pequenos para o rio e lá cumpria seu labor diário: esfregar, quarar, bater. De domingo a domingo.
Mariana aprendeu a ficar em silêncio. Participava com bom ânimo das orações diárias, do estudo bíblico, das santas missas. A catequização das crianças era sua maior alegria. Acordava antes do sol, encontrava as outras companheiras. A vida em comunidade era boa, animada. As noviças dividiam um grande quarto cheio de camas.
Três meses se passaram no novo lar com as irmãs carmelitas. O inverno transformou a paisagem em nevoeiro, mas era possível avistar a ponta do velho farol quando ia limpar as janelas de vidro do andar de cima do convento. Sentiu saudades de dona Rosa, de seu pai, de seus irmãos. Sentiu saudades do menino Dimas, daqueles olhos que guardavam o mar. Sentiu saudades do farol perdido, do inebriante perfume de maresia.
-Vem Mariana, padre Gregório mandou chamar na sacristia!
- Acorda Mariana, padre Gregório quer ver-te antes da missa!
- Mariana hoje fica até mais tarde com as crianças de padre Gregório!
Estreitavam-se mais e mais os laços entre a noviça e o pároco da igreja de Nossa Senhora do Carmo. E Mariana já não desejava o farol, o mar, o vento nos cabelos.
- Padre Gregório pediu para ficar até mais tarde cuidando dos preparativos da semana da páscoa.
- O padre me chamou mais cedo hoje, madre.
- Vou confessar depois da catequese dos meninos lá na sacristia.
- A irmã pode ir sem mim. Vou meditar mais um pouco na capela do santíssimo.
Na despedida da catequese das crianças, o mesmo ritual: a noviça beijava a mão do padre. Um dia, não se satisfazendo com a cerimônia do gesto, o pároco pegou com as duas mãos o rosto da mocinha e beijou seus lábios trêmulos. Um beijo na boca!
Duas semanas foram suficientes para que o sacerdote passasse a reinar sobre o corpo e a alma da arrebatada freirinha que estava tão enfeitiçada de amor que já não via pecado quando ele a tomava para si em seu dormitório durante toda a madrugada. O venerado padre a quem ela devia respeito era ainda o homem a quem ela se oferecia com ardor e sem pudores. Sentia que seu amor era o mais puro e abençoado por Deus, mesmo quando ele a arrastava pelos cabelos e possuía seu corpo com uma violência bestial. O seu amor devotado justificava toda a ferocidade: Não eram assim o amor dos animais e a fúria das marés? E assim mesmo não eram obra de Deus?
Numa gelada madrugada procurou pelo padre em sonhos gritando o seu nome. Despertou sob o olhar das religiosas.
Quando apareceram os indícios da gravidez cessaram os chamados do adorado padre. A vida de Mariana agora era dentro da clausura. Sobre o catre imundo, rezava. A cada dia com redobrado fervor. No banquinho de madeira o copo d’água e a santinha de barro que ganhou da mãe no dia da primeira comunhão. Sorriu aérea, lembrança boa do menino que não a deixava chorar nem sentir fome. Concentrou naqueles olhos. Ponte para o mar profundo, domínio de venturosos afogados, liquefeitos pelas profundezas salgadas.
A madre superiora e a outra entraram caladas com a infusão numa xícara alta. Era para tomar tudo, gota a gota. Aquilo amargava a boca, tanto, tanto que nos últimos goles precisaram segurar com força o maxilar da pecadora para que não desprezasse a bebida com seus engulhos.
De seus olhos correram um quieto pranto. Sabia que sua vida era um sopro agora. E que não havia tempo para ressentimento e dor.
A missa estava cheia. Ia ter procissão em homenagem à padroeira. Mariana apareceu com a face descorada na celebração da eucaristia e recebeu das mãos de um assombrado padre Gregório a hóstia sagrada. Ainda estava com o corpo quente de Jesus em sua boca quando se precipitou para beijar a boca do padre com toda a ternura que tinha.
Fez-se um silêncio, depois um suspiro quente e coletivo da audiência. Mariana articulou baixinho no ouvido do religioso o cântico que entoava aos seus ouvidos nas noites de luxúria: -“Levou-me à sala do banquete e o seu estandarte sobre mim era o amor. Sustentai-me com passas, confortai-me com maçãs, porque desfaleço de amor.” E seu pensamento já não reprimia a força de suas palavras.
- Gregório, Gregório, Gregório! Que nome tão lindo! Nosso amor é abençoado por Deus, meu padre, meu amante, meu amor!
E continuava no seu arrebatamento profundo:
- As portas devem estar abertas para que entrem os ladrões, os bêbados, as mulheres sem homem, as prostitutas, os pagãos, todos os filhos bastardos. Jesus disse que o amor deveria estar sempre à frente de toda a convenção ou lei criada pelos homens. Como seria pecado o que já nasceu amor?
De sua boca jorrava um sangue grosso. Uns já segredavam que o sangue também brotava do meio de suas pernas. Vozes acanhadas e destoantes se puseram a ensaiar baixinho o stabat mater com o apoio majestoso do órgão.
Mariana foi carregada outra vez para a clausura, em segundos o miserável catre era sangue só. Os olhos reviravam, assim como os dedos das mãos e dos pés, a febre queimava transtornando ainda mais os seus sentidos que se exaltavam em alarmantes clamores. A morte dava seu espetáculo ainda dentro da vida.
Uma luz que ia e vinha adentrou a janelinha do triste quarto e Dimas pôde ver aquele corpo amado que agora agonizava. Fechou seus olhos e como um cego tateou o contorno do rosto de Mariana implorando em pensamentos que Deus fosse justo e o levasse com ela.
A voz de sua delicada dama ainda era fresca e cristalina, viajando, doce, até os ouvidos do menino. A própria Mariana agora já era só o seu som:
- O amor deste mundo é preguiçoso e não possui asas para erguê-lo até o infinito... O sol entrava pela fresta da janela de manhã e tudo estava lá, toda a força, a alegria, a esperança estava no sol que invadia a manhã fria pela janela... Sabia que Deus estava lá, ninguém precisou me dizer... Lá do farol velho o menino ouvirá melhor a voz de Deus... Daquele coração imenso brotarão flores de cores nunca vistas e eu cantarei para ele sempre que houver dor... Eu cantarei a canção mágica e não haverá mais nenhum temor.
Num admirável esforço, a agonizante proferiu um nome:
- Dimas, tem muito o que fazer... Leve o alforge... Atravesse os mares... Não deixa ficar lá a fome, nem o sofrimento... Limpa as feridas Dimas... Cuida... Abre as portas do mundo para Deus entrar...
E sorriu seu último sorriso, imergindo na vastidão azul daqueles olhos que havia conservado para si.

6 comentários:

  1. Não conhecesse eu a autora, diria que acabei de ler um belo conto escrito no início do século XX...Bem estruturado,com uma história comum mas com uma narrativa ímpar!

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  2. Ai o mar... O oceano... Sempre presente nas mentes de portugueses e brasileiros. Gostei muito de ler o teu conto querida Carol. Muito bom! ;)

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  3. que bonito, que triste, que emocionante! Viajei pra bem longe...

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  4. Em Mariana, primeiro, uma candura e disponibilidade para a vida, a fusão com a natureza, a linha de encontro da terra com o mar, o viço e frescor dos inícios.
    O prazer intenso na realização de tarefas singelas, quase básicas, transformadas com desvelo meticuloso em obras de arte.
    Depois, o insensato menosprezo da oferta da felicidade desde sempre próxima e possível com Dimas, ainda em nome da mesma busca incansável do absoluto.
    Mais tarde, a inexorável queda de um anjo às mãos de Gregório, irrompendo brutalmente por entre a tautologia dos rituais apaziguadores de todas as angústias.
    A inevitabilidade primeva do instinto original transformado em subversão intolerável pela ordem imperiosa das instituições petrificadas. O frémito total, o preço a pagar por toda a desmesura, pela sensualidade imanente de uma Teresa de Ávila, a fusão incondicional tentada só pelos mais puros, a entrega que traz implícita a própria destruição.
    E contudo, o volte-face da lucidez final na passagem do testemunho a Dimas, as claras e concretas determinações redentoras de quem sai do palco da vida com dignidade, entregues àquele olhar profundo guardado desde sempre no mais íntimo de si...
    ...Podia ser uma peça de teatro, um filme...
    Experimentem este desafio: Primeiro, leiam o conto a sós, em voz alta, várias vezes. Depois, de novo para amigos, família, alunos.
    Melhor ainda: Ana Carolina é atriz e declamadora.
    Convidem-na para uma leitura. Ela saberá como ninguém fazer de "A tentação de Mariana" uma verdadeira representação...

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  5. Muita sensibilidade. Grande contista! Fiquei curioso com algumas palavras lusitanas; remeteram-me, não sei por quê, a alguma aldeia marítima portuguesa, sei lá! Parabéns.

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  6. Ana Carolina Paiva, você descobriu a máquina do tempo e sabe viajar com delicadeza incomum. Parabéns e continue nos levando com você!

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