Solilóquios descoladinhos de uma dona de casa pretensiosa

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Amélio

18:01 POR Carolina Rêgo Barros SEM COMENTÁRIOS
O homem comum é um tipo cativante. Topei mais uma vez com este tipo hoje, na figura do carteiro.
Magrinho, nenhum atrativo físico, por outro lado não apresentava nenhum traço oposto. Nada feio, repugnante, esquizóide, apenas comum.
No seu semblante, uma paisagem indefinida. Sabe cara de paisagem?
O homem comum passa confiança e até um certo sentimento maternal. Nunca se espera que ele vai olhar pra sua bunda quando você virar, não fica dando aqueles sorrisinhos impertinentes, abusados e irritantes. Não parece um tarado – mas pode ser!-, tampouco é carrancudo ou blasé.
Será que ninguém pegaria o homem comum? Tão sem gracinha, já passou da idade, desprovido de qualquer vaidade, conhece o básico do mundo, não esquenta a cabeça com nada.
Num tom baixo, polido e quase doce: “essa sacicha dá muito pobrema no estomo”, essa gracinha de criatura me encanta com sua inventividade pueril e despretensiosa. É bom topar com um carteiro assim: “gente como a gente.”
Encarnação da bondade, do homem respeitador, do pai cuidadoso, do marido pacato, que faz ouvido de mercador e vistas grossas até para os deslizes da esposa fogosa. “Jurema? Aquilo é uma santa! Da casa pra igreja, da igreja pra casa...”
Não é que ele existe minha gente, o Amélio? Todavia, você minha amiga dona de casa, prendada e honesta, não pense que é tão fácil fisgar um Amélio, pois o negócio deles são as Juremas da vida. Vai entender...

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Acordo? Não há

15:15 POR Carolina Rêgo Barros 1 COMENTÁRIOS
Há mesmo quem se acostume a este tipo de tortura? Quiçá, tem masoquista para todo gosto.
Eles se multiplicam implacavelmente como seres mutantes, assassinos, perseguidores. Eles? Ou elas? Ainda mais esta confusão de gêneros.
Os solteirões metidos a moderninhos lidam com a coisa como hobby: enchem a esponja com sabão de côco e água e se esbaldam, que gracinha. Vai encarar diariamente aquele panelão de cozido cheio de graxa, os resíduos de feijão queimado, o resto da papa branca gosmenta de maizena? E o pior é que com o advento do light, de não pode isso, não pode aquilo, a miserável dona de casa frita tudo direto na frigideira que não tem porra nenhuma de antiaderente e tudo gruda!
Depois a gente mistura o troço com aquela aguinha um tempo e se esquece obviamente, por uns dois dias no mínimo, se ainda sobrar qualquer resquício de bom senso e amor próprio.
Sabendo que, ressalvando a doutrina de Alan, a vida é só essa mesmo e olhe lá, faço um apelo a todas as pessoas de bem e que pretendem ter uma vida: lavem menos louça minha gente! Ou ao menos façam de tão terrível fardo uma profissão, em troca de uma boa soma em dinheiro.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Rapidinha

08:18 POR Carolina Rêgo Barros 1 COMENTÁRIOS
Dizem que tem uma receita que se deve seguir à risca! Não demonstre sua humanidade. Palavras como paixão são terminantemente proibidas. Esconda todos os seus medos e fraquezas em maletas hermeticamente cerradas a vácuo. Mesmo que tudo que se diga não tenha tutano, se fizer direitinho na receita, cola! E se colar, colou! Dane-se tudo e todos!
Pra não barganhar minha alma, costumo chorar de formas distintas: de mansinho, meio sem querer, rindo e chorando, copiosamente, quase rindo. Depois eu faço as pazes com a tristeza.
Receita mesmo, prefiro as de bolo de recheio de ameixa e cobertura de chocolate ou de bacalhau a Gomes de Sá.
Seria bom que minha amiga fosse a serenidade, aquela que é assim com vovó. De todo modo, vou conciliando a tristeza, amiga discreta que vem pra fazer um estraguinho, depois vai embora, não permitindo que eu me esqueça porque vim parar por aqui.